Oficiais da UE e FMI chegam à Irlanda

Menos de 48 horas depois de ter aceito a ajuda internacional para o resgate dos bancos, Dublin recebeu hoje a primeira visita de peritos europeus e do Fundo Monetário Internacional (FMI) para começar a preparar um eventual programa de apoio.

Esta visita, que integra representantes da Comissão Europeia, do Banco Central Europeu (BCE) e do Fundo Monetário Internacional (FMI), irá “examinar os problemas estruturais da dívida irlandesa, no contexto das pressões recentes dos mercados financeiros, e avaliar o que deve ser feito, explicou o ministro irlandês das Finanças, Brian Lenihan, deixando em aberto a possibilidade de uma profunda reestruturação no setor.

O Primeiro-ministro da Irlanda, Brien Cowen, insistiu porém que “não há data para a conclusão” destas consultas, nem tão pouco o seu resultado pode ser, desde já, assumido como uma intervenção certa. Porém os 80 a 100 bilhões de euros que tem sido a ordem de valor mais referida foi considerada “demasiadamente grande para um pequeno país como a Irlanda”.

Após uma enorme pressão, sobretudo do BCE, e num contexto crescente de dramatismo sobre o fim do euro, a Irlanda acabou na terça-feira por aceitar iniciar negociações “rápidas e breve” com a comunidade internacional com vista a “preparar um potencial programa de apoio” à banca irlandesa, de modo a garantir que as verbas necessárias estarão rapidamente à disposição “caso se revelem necessárias”.

A necessidade de, pelo menos,considerar uma ajuda internacional foi justificada pelo fato de os principais bancos irlandeses continuarem a acumular perdas colossais, numa altura em que estão totalmente dependentes da liquidez fornecida do BCE, isto depois de já terem “sugado” fundos públicos equivalentes a um terço do PIB irlandês (50 bilhões de euros), o que fará disparar o défice para 32% do PIB.

O Reino Unido, o país mais exposto à dívida pública e privada irlandesa, assegurou que, mesmo estando fora do euro, está “pronto” para participar numa ajuda, por estar em jogo o seu “interesse nacional”. “Estamos prontos para ajudar em qualquer situação”, repetiu, por seu turno, o ministro alemão das Finanças Wolfgang Schaüble, deixando em aberto a possibilidade de um eventual apoio não se limitar aos bancos, mas estender-se também ao Estado irlandês.

Em Dublin, o primeiro-ministro bateu o pé e insistiu que não é a Irlanda (tal como aconteceu com a Grécia) que está a considerar recorrer a auxílio, porque está plenamente financiada até meados de 2011.

Cowen anunciou que antecipará a apresentação das medidas mais rigorosas do Orçamento de 2011 (que incluirá cortes adicionais de 6 bilhões de euros) que será entregue dia 7 de Dezembro. E que actualizará os planos orçamentais traçados até 2014 (que prevêem poupanças de 15 bilhões de euros), ano em que o défice irlandês deverá regressar ao máximo de 3% permitido pelo regulamendo da UE.

O primeiro-ministro deixou no entanto claro que, mesmo no caso de a dívida irlandesa ser intervencionada, não vê razões para que os parceiros internacionais imponham mais restrições orçamentais, designadamente que forcem o Governo a subir a taxa de imposto que aplica aos lucros das empresas – 12,5%, uma das mais baixas do mundo.