O Irish Coffee
O Irish Coffee é como um café de luxo. Sua concentração, beleza e complexidade explicam a fama de uma bebida quente feita para realmente aquecer os corações. E não basta emoção, é preciso estar preparado para tomar um bom café forte com um tradicional uísque irlandês.
Como mencionei na coluna anterior, o uísque irlandês é um uísque normal, só que feito fora da Escócia e, portanto, recebe o nome de “whiskey”, com um “e” a mais. É assim porque “whisky” é apenas na Escócia. Nos outros lugares do mundo é “whiskey”. Tem o mesmo efeito de “champagne” e “espumante”.
Bom, minha trajetória da bebida começou com meu desejo, nunca antes realizado, de tomar o verdadeiro Irish Coffee. Não sei se por medo ou ignorância completa, mas sonhava em tomar a bebida caprichada justamente porque sou um apreciador de cafés; entretanto, faltou atitude. Mas, então, num curso de bebidas, conheci um professor chamado Rick Anson e que, literalmente me convenceu (e a todos os alunos) de que drinks eram um grande barato. E lá estava incluído, justamente, o Irish Coffee. Nem preciso dizer, mas seu perfeccionismo e a habilidade na preparação já convenciam de que era um ótimo drink. Ao tomar... sem palavras, muito bom.
O Irish Coffe é a mistura de basicamente três produtos: uísque irlandês, café e creme de leite fresco batido. Ultimamente os bares trocaram o creme de leite por chantilly, mas definitivamente não me agrada. Para finalizar a receita, é acrescentado também um pouco de açúcar cristal (mascavo, originalmente o açúcar mascavo de beterraba, muito usado na Europa).
A bebida surgiu em 1942, no bar do restaurante do aeroporto em Foynes, na Irlanda. O aeroporto, que ligava a América à Europa, era usado por flying boats, aviões que pousam na água, e frequentemente visitado por personalidade da época como John Kennedy, Yehudi Menuhin, Humphrey Bogart, Eleanor Roosevelt, Edward Robinson, entre outros. Num determinado dia de mau tempo, o vôo voltou ao aeroporto e todos os passageiros ficaram esperando a liberação da próxima decolagem. Porém, o dono do restaurante, Joe Sheridan, não deixou ninguém ficar com fome ou sede, principalmente porque era uma região fria, e, portanto, resolveu “esquentar” os humores colocando uísque no café. Sem querer, um passageiro americano questionou “is this Brazilian coffee?”, “No” Joe disse, “That’s Irish Coffee”. E a partir daí o mundo conheceu o típico café irlandês.
Larry Nolan na produção em linha. O Buena Vista Café serve até 2000 Irish Coffees por dia.
Mas sua receita tradicional (e a qual é difundida) só foi desenvolvida em 1952, quando o proprietário do Buena Vista Café, em São Francisco, Califórnia, EUA, Jack Koeppler e seu amigo Stanton Delaplane resolveram recriar a receita, adicionando, após diversos testes, o verdadeiro creme de leite fresco batido ao topo da receita e, claro, na proporção exata de café, uísque e açúcar. Um grande resultado para uma bebida simples.
Assim, depois de conhecer o Irish Coffee com nome e sobrenome, armazenando o sabor (padronizado), fui experimentá-lo, o que, logicamente, é o mais interessante. Meu primeiro alvo foi numa viagem ao Rio, bem no Cafeína, em Ipanema, onde tomei um saboroso brunch antes de voltar a São Paulo. A bebida estava forte, acordava qualquer um, mas muito prazerosa. Depois provei em outros dois lugares em Santos: no Fran’s Café e no São Paulo Café. No primeiro, o chantilly estava “superfaturado” e contaminava muito o sabor do café. E também o açúcar estava em excesso. Já no São Paulo Café, onde gosto muito de ir pela dedicação ao serviço, o Irish Coffee se mostrou elegante e justo, com tudo no lugar. Levava um componente a mais que me chamou a atenção, o licor Drambuie (uísque escocês, mel e especiarias), porém, de qualquer jeito estava bom.
Valeu a pena, claro! E quero continuar experimentando... Já tentei uma versão mais holandesa, substituindo o uísque irlandês pelo gin, mas não deu muito certo. Ficou extremamente forte. De qualquer forma, o que vale no verdadeiro Irish Coffe é reservar um bom momento e saborear a mistura do café com o uísque. Sempre saem bons papos.
Fonte: www.alimentares.com
- Se logue ou se registre para poder enviar comentários





