Irlanda à Beira de um Novo Êxodo

A emigração da Irlanda para a Grã-Bretanha, os Estados Unidos e outras partes do mundo alcançará níveis ainda maiores dos que os da década de recessão, que foi a de 1980.

Conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica e Social, 50 mil irlandeses procurarão se mudar este ano. A quantidade supera os 44 mil que deixaram o país europeu em 1989. O instituto, um dos principais na Irlanda, também projetou que mais 25 mil empregos serão perdidos neste ano. Conforme a pesquisa, a emigração líquida deve chegar a mais de 100 mil pessoas entre abril de 2010 e abril de 2012.

Essas projeções vieram na mesma semana que o primeiro-ministro da Irlanda, Brian Cowen, anunciou a data de uma eleição geral. O país irá às urnas em 11 de março, mais cedo do que a coalizão entre os partidos Fianna Fáil e Verde esperava.

A decisão de Cowen ocorreu depois de seis demissões ministeriais em seu gabinete diante da tentativa fracassada de tirá-lo do cargo de líder do Fianna Fáil. Entre as áreas já afetadas pela emigração está o esporte. A Associação Atlética Gaélica expressou preocupação de uma hemorragia de jogadores talentosos. Segundo a entidade, os clubes de futebol do país estão perdendo 250 jogadores por mês.

Cowen aposta que um grande aumento nas exportações impulsione o crescimento econômico neste ano e no próximo, ajudando o país a cumprir suas metas de redução de dívida e fiscais da União Europeia e do Fundo Monetário Internacional (FMI) em troca do pacote de resgate.

No Centro Irlandês de Londres, funcionários apontam aumento de telefonemas e e-mails de jovens irlandeses perguntando sobre oportunidades de emprego na Grã-Bretanha. Geoff Moores, oficial de bem-estar do centro, avalia:

– A situação é diferente dos anos 80, quando jovens chegavam da Irlanda com só uma mochila sobre os ombros. Os imigrantes, esta vez, estão melhor preparados.

No século 18, milhares de irlandeses foram para Estados Unidos, Inglaterra e Canadá, deixando a pobreza e a fome. Na década de 50, mais um êxodo: cerca de 500 mil pessoas deixaram o país, na maioria jovens.
 

 

Fonte: The Guardian